April 23, 2017

Um SENÃO com 45cm

ASSOCIAÇÃO SALVADOR preparou um Manual para Pessoas com Deficiência Motora. Mais uma iniciativa que todos devemos aplaudir e que muito vai ajudar a comunidade de pessoas com Deficiência Motora.

Contudo, há um SENÃO… um senão a 45cm do chão!?


     No capítulo,

     indica-se:

Casas de banho - (...) sanita (...) com uma altura do piso até ao bordo superior do assento de 45cm



São muitos e diversos os relatos relativos ao insucesso 
do uso dos sanitários instalados a 45cm do chão.
O EQUILÍBRIO não é possível.

Ao usar um sanitário, um paraplégico deve ter a possibilidade de se sentar em equilíbrio. O assento do sanitário a uma altura de 45cm do piso impossibilita que o equilíbrio seja conseguido uma vez que os pés não chegam ao chão de forma equilibrada e firme. Qualquer altura superior a 38cm (altura normal de um sanitário comum) inviabiliza o uso do equipamento de forma eficaz e em condições de segurança. Para quem, eventualmente, necessite da sanita mais alta, pode utilizar um alteador de sanita, um acessório portátil adequado para o efeito. O contrário já não é possível porque baixar a altura do sanitário já colocado, não é uma possibilidade viável. Também, a instalação de sanitários com abertura frontal, equipamentos cada vez mais comuns, acrescenta ainda mais dificuldades a somar aos 45cm de altura do sanitário ao chão. Há quem afirme que são os mais adequados mas de facto são um 'quebra-cabeças' ainda por cima com um custo muito superior aos sanitários normais. Curioso! Este tipo de sanitários com abertura frontal só deve ser usado em instalações hospitalares e apenas nos espaços em que o deficiente está acompanhado por um auxiliar, devido à eventual necessidade de ajuda para lavar as partes ‘mais íntimas’. Relativamente às barras laterais de apoio ao sanitário, no caso de um paraplégico, estas devem estar à altura dos quadris, se considerarmos como referência a posição de sentado no sanitário. A força que o deficiente tem que fazer para passar do sanitário para a cadeira de rodas, combinada com o equilíbrio que tem que garantir, é mais eficaz quando a barra está à altura dos quadris, uma vez que o movimento e a força são otimizados. Fazer força de cima para baixo numa barra que esteja à altura dos ombros (tomando mais uma vez como referência a posição de sentado num sanitário a 38cm do chão) é um movimento difícil, improdutivo e inseguro.

SANITÁRIOS DISFUNCIONAIS... barras laterais muito elevadas, altura do piso ao assento com 45cm ou mais,
abertura frontal contraproducente e lavatório com barra inferior que inviabiliza o acesso da cadeira ao mesmo.
Alguns exemplos de WCs que criam dificuldades, em diversos espaços de uso público em Portugal


O que parece que está a acontecer é que os WCs para deficientes que começam a surgir um pouco por todo o lado, não estão adaptados para quem se desloca em cadeira de rodas, nomeadamente para paraplégicos. Parece serem equipamentos para pessoas com mobilidade reduzida, sem dúvida, mas que não se deslocam em cadeira de rodas e que de alguma forma conseguem estar de pé. Daí a altura das barras, a altura do sanitário (45cm do chão) e o estranho caso da abertura frontal dos sanitários muitas vezes disponíveis em WCs de hotéis, restaurantes, centros comerciais, áreas públicas, etc. Em resumo, os que têm mais dificuldades motoras resultantes de uma paraplegia ou tetraplegia, vêm agora as suas dificuldades exponencialmente aumentadas e na maioria dos casos constata-se que os equipamentos instalados são inúteis, isto é, impossíveis de usar. É como se não existissem.


Pés bem assentes no chão: 
CORRECTO 








Barra lateral à altura dos quadris: 
FACILITA










Sanitário sem abertura frontal, com o assento a uma altura normal do chão: 
EFICAZ












Com o equipamento essencial, sem obstáculos gratuitos, disponibilizado correctamente. 
EFICIENTE










Relacionados: 


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April 20, 2017

Arte Acessível

A Fundação Calouste Gulbenkian: Museu Gulbenkian, Música e Jardim, são espaços inclusivos. Aproveite um dia dedicado às famílias com crianças, jovens e adultos com necessidades educativas especiais. 

Um conjunto de propostas artísticas para serem tocadas.





Já dizia Picasso que “para começar a desenhar devemos primeiro fechar os olhos”. Será que consigo desenhar aquilo que imagino?
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Brincar! É algo que todos fazemos.
Mas será que toda a gente brinca da mesma maneira? E terá sido sempre assim?
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Como pode um DJ ajudar na criação de determinados ambientes?
A atividade tem por objetivo compreender como a música e o ambiente interagem com as pessoas e podem criar diferentes estados de espírito.
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As nossas experiências multissensoriais, reforçadas com momentos de expressão corporal, permitirão que nos aproximemos do mundo vegetal ao mesmo tempo que trabalhamos as emoções e a abertura relacional com os outros, despertando a consciência de um “eu” que habita um mundo encantador…
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Vamos mostrar como o circo pode ser um espaço de inclusão ao alcance de todos! Tens coragem de experimentar? Anda daí! Temos voos extraordinários para toda a família.
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Começar a fuga ao cardume e rebanho social, do coletivo, do comportamento imposto, da civilização robotizada, do digital sem tato pelo outro, abraçar, existir
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Visitas dançadas com o corpo pensadas.
O corpo vê, sente, observa e interpreta. Cores, linhas e formas saem das obras e transformam o nosso movimentar.
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March 29, 2017

Relativizar

 


Ao longo dos anos, a DEFICIÊNCIA tem sido observada de distintas formas pela sociedade. De uma forma geral é associada a uma condição ou função considerada deteriorada relativamente à situação geral de um individuo. O termo costumava fazer referência à deficiência física, à deficiência sensorial, à deficiência cognitiva, à deficiência intelectual, às doenças mentais e a diversos tipos de doença crónica.


Ainda que a deficiência permanente seja difícil de relativizar, porque se trata de uma condição irreversível, é importante olhar para o mundo com uma atitude positiva e proactiva. É importante perceber o que devemos valorizar e nesse sentido é importante aprender a relativizar.


Há anos que digo que a coisa mais importante que aprendi na vida foi a relativizar. E foi. Não é fácil, mas compensa. Permite-nos perceber que há sempre duas maneiras de olhar para uma mesma situação: aquela em que nos deixamos definir pelas circunstâncias ou aquela em que vencemos essas mesmas circunstâncias. E seguimos em frente". Raquel Carrilho, in Jornal i


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March 18, 2017

Sem TABUs

Certamente que já teve vontade de colocar algumas questões a quem tem algum tipo de deficiência, por exemplo quem ‘vive’ numa cadeira de rodas, mais que não fosse para entender melhor como cada um consegue ultrapassar as situações mais comuns do dia-a-dia. Provavelmente por receio, por acanhamento ou mesmo por não saber abordar as questões, nunca o chegou a fazer. 


Ficam aqui algumas dessas perguntas e as respostas... sem TABUs!

Salvador Mendes de Almeida - Associação Salvador

Fonte: SIC

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March 11, 2017

PILARETE, um ‘amigo-improvável’


A libertação do espaço público para o usufruto das pessoas é uma prioridade para que a ‘CIDADE’ seja mais acessível para todos. Neste sentido, os Pilaretes são a resposta inevitável à falta de civismo de muitos dos ‘nossos’ automobilistas. A alternativa à colocação de pilaretes é encontrar automóveis parqueados em cima dos passeios. Uma situação inaceitável.

“O número de pilaretes na cidade está na direta proporção daquilo que ainda temos de caminhar do ponto de vista do civismo na cidade de Lisboa (…) Não há qualquer fiscalização que substitua o comportamento cívico”, considerou o Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Os automobilistas fazem o que querem, estacionam sem critério nas zonas pedonais, zonas recentemente intervencionadas no âmbito do Plano de Acessibilidade Pedonal, sem se preocuparem com a mobilidade e a acessibilidade dos demais cidadãos. Este problema é ainda mais grave se pensarmos nas pessoas com Mobilidade Reduzida, que sempre tiveram muita dificuldade em se deslocar em Lisboa, muito devido ao piso empedrado e à falta de rebaixamento dos passeios, e agora, debatem-se com a falta de civismo. Um problema ‘gratuito’, um problema que nos incapacita a todos. Urge fiscalizar e punir os infratores, para que esta prática típica de um país 'terceiro-mundista' termine de vez.

Recentemente, o estacionamento abusivo em lugares reservados para pessoas com deficiência foi alvo de uma alteração legislativa – com a contribuição de uma PetiçãoPública lançada pelo Minuto Acessível – para que se passe a considerar este comportamento como uma CONTRAORDENAÇÃO GRAVE. "Ao considerar este comportamento como uma contraordenação grave, a pessoa que o pratica, para além de ter de pagar a respetiva coima, fica sujeita a sanções acessórias como a inibição de condução no mínimo de um mês a um ano e a retirada de 2 pontos na carta de condução, ficando, ainda, o incidente registado por cinco anos no seu cadastro rodoviário"


Provavelmente, perante estas evidências, teremos que seguir um caminho semelhante.

Lisboa e outras cidades do país pretendem tornar-se mais acessíveis 
mas muitos automobilistas que nela circulam, NÃO QUEREM!  


É por aqui que os ‘nossos automobilistas' gostam de estacionar porque é 
mais CONFORTÁVEL, mais SEGURO e mais ACESSÍVEL!


Ocupar estes espaços para estacionar, é como irmos a uma Urgência Hospitalar e em vez de sermos ajudados por um médico, encontramos um Vírus de serviço!



Baseado na inspiração pragmática mas critica,
de Sérgio Lopes



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March 8, 2017

Hoje somos todos ‘ELAS’


Em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de Março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

Cerca de 10% da população, ou seja, 650 milhões de pessoas, vivem com uma deficiência. São a maior minoria do mundo. As mulheres com deficiência sofrem múltiplas desvantagens, incluindo a exclusão devido ao seu sexo e deficiência. Também em Portugal esta é uma realidade que urge combater.

Todos os dias são, ou devem ser, Dia da Mulher

Podia ser num outro dia mas faz sentido usar o dia de hoje para o Minuto Acessível agradecer a colaboração de todas as mulheres que têm partilhado e contribuído para que o Minuto Acessível já tenha mais de 170Mil visualizações.


OBRIGADO



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March 3, 2017

Centro de Vida Independente


A Vida Independente é a aplicação no quotidiano de uma política para as pessoas com deficiência baseada nos direitos humanos.

Muitas pessoas com deficiência encontram-se dependentes de outras pessoas para realizar inúmeras tarefas do dia-a-dia.

Se não tiverem apoio para a realização destas tarefas – que podem ser funções tão básicas como a higiene pessoal ou a alimentação – estas pessoas com deficiência ficam excluídas de qualquer processo de participação social em condições de igualdade.

Para que exista uma verdadeira igualdade de oportunidades é, portanto, necessário assegurar que estas incapacidades sejam superadas através do apoio de uma terceira pessoa.



O primeiro Centro para Vida Independente foi criado em Berkeley, na Califórnia, em 1972, por um grupo de estudantes universitários com deficiência que quiseram ter o controlo das suas vidas recusando a institucionalização. Foi a partir desta experiência que se consolidou o conceito de Vida Independente.




Saiba tudo AQUI




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March 1, 2017

Cidadania Ativa

Gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian, o Programa Cidadania Ativa apoiou o fortalecimento das organizações da sociedade civil em Portugal, entre 2013 e 2016. Em quatro anos a iniciativa apoiou 113 projetos, em que participaram cerca de 170 ONG e muitas outras organizações, tanto de Portugal como dos países financiadores do Espaço Económico Europeu, o que permitiu beneficiar diretamente as vidas de mais de 80 mil pessoas em todo o país.







Saiba mais AQUI
Com a colaboração de Rita Valadas


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February 24, 2017

Emoções ONLINE



Existem várias formas de COMUNICAR as nossas emoções online. Uma delas passa pelo recurso aos emojis. Os emojis são uma forma rápida e divertida de dar um toque emocional aos nossos e-mails e às mensagens que trocamos pelo telemóvel.


A questão que agora se coloca é como é que os deficientes visuais podem usufruir desta vantagem. Como toda forma de linguagem, o êxito do que se quer transmitir com os emojis depende do contexto e da compreensão mútua entre quem escreve e quem lê.

A Live TIM criou um sistema de emojis para invisuais. Uma ferramenta que permite que as pessoas com deficiência visual tenham uma experiência equiparada a qualquer outro leitor.




O projeto é pioneiro no segmento (…) alinha Acessibilidade, Inclusão e Cidadania (…) os jovens com deficiência visual, que hoje já se comunicam através de muitos instrumentos, vão sentir-se como qualquer outra pessoa (…) afinal a emoção não afeta apenas determinados grupos de pessoas, atinge-nos a todos”, refere Maria da Gloria Almeida, do Instituto Benjamin Constant.



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February 21, 2017

Presidência INCLUSIVA


O sítio Oficial da Presidência da República na Internet tem uma preocupação especial com a acessibilidade para pessoas com necessidades especiais (pessoas com deficiência e pessoas idosas). O Portal cumpre um elevado nível das normas internacionais de acessibilidade dos conteúdos Web, o que facilita a todos os que nele entrarem com tecnologias de acesso.

A estrutura do portal da Presidência da República já permitia aos utilizadores invisuais tirar o máximo o partido das tecnologias de leitura de ecrã e, recentemente, foi dado mais um passo com a disponibilização de vídeos com tradução para língua gestual portuguesa e também com legendagem.





Saiba mais AQUI



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February 16, 2017

Contraordenação GRAVE


Em agosto de 2016 o Minuto Acessível criou uma Petição Pública para que se considerasse o estacionamento abusivo nos lugares reservados a Pessoas com Deficiência como uma contraordenação gravee que essa infração implicasse pelo menos a perda de dois pontos no novo sistema ‘Carta por Pontos’.


A Assembleia da República traduziu em Lei esta queixa -  a do abuso sistemático da ocupação indevida dos lugares reservados a pessoas com deficiência - que muitos cidadãos com mobilidade reduzida  há muito tempo vinham assinalando e, recentemente, os deputados legislaram no sentido de penalizar este tipo de comportamento.

Foram aprovadas, com o voto favorável de todos os grupos parlamentares, propostas de lei relativas ao estacionamento reservado a pessoas com mobilidade reduzida, vulgarmente denominados por Lugares para Deficientes, que prevêem, nomeadamente, a gratuitidade do parqueamento em certos locais, a existência obrigatória destes espaços e a penalização por usufruto abusivo.

A partir de agora, o estacionamento abusivo num lugar reservado a pessoas com deficiência será considerada uma contraordenação grave. “Ao considerar este comportamento como uma contraordenação grave, a pessoa que o pratica, para além de ter de pagar a respetiva coima, fica sujeita a sanções acessórias como a inibição de condução no mínimo de um mês a um ano e a retirada de 2 pontos na carta de condução, ficando, ainda, o incidente registado por cinco anos no seu cadastro rodoviário”, referiu Jorge Falcato, deputado proponente do Projeto de Lei n.º 319/XIII/2.ª que altera o artigo 145.º do Código da Estrada, adicionando a alínea q) que refere “A paragem e estacionamento em lugar reservado a pessoa com deficiência condicionadora da sua mobilidade, por qualquer pessoa que não esteja habilitada para tal, nos termos do Decreto-Lei n.º 307/2003, de 10 de dezembro”, como uma contraordenação grave.

QUANTOS PONTOS SÃO RETIRADOS EM CONTRAORDENAÇÕES GRAVES (artigo 145º do CÓDIGO DA ESTRADA)?

Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR)


Os lugares reservados a pessoas com deficiência são específicos na sua dimensão, exatamente para permitirem, por exemplo, a saída para uma cadeira de rodas. No limite, o estacionamento indevido nestes locais, pode impedir que um cidadão que se desloque numa cadeira de rodas possa parquear o seu carro, comprometendo ainda mais a sua mobilidade. A ocupação indevida destes espaços de parqueamento é uma prática recorrente e não é reconhecida pela generalidade da população como uma prática gravemente atentatória de um direito que limita a liberdade de quem necessita desse espaço.



Por ser apoiada por todos os grupos parlamentares, não se trata de uma questão ideológica, não é uma questão de esquerda, de cento ou de direita, é de facto uma questão de Cidadania e de compromisso com os valores do Civismo, da Inclusão e da Solidariedade.



A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência determina que “os Estados Partes tomem medidas eficazes para garantir a mobilidade pessoal das pessoas com deficiência com a maior Independência possível”.



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February 9, 2017

‘Naufrágio’, 10Anos DEPOIS


Ontem, dia 8 de fevereiro de 2017, 10 anos após a entrada em vigor do Decreto-Lei nº163/2006que tem por objeto a definição das condições de acessibilidade a satisfazer no projeto e na construção de espaços públicos, equipamentos coletivos e edifícios públicos e habitacionais - data limite para que as entidades responsáveis pela desconformidade das edificações e estabelecimentos aí referidos com as normas técnicas de acessibilidade não venham a ser sancionadas, constata-se que a violação da Lei entrou em vigor.

A pergunta que agora se impõe é o que é que vai acontecer a partir de amanhã já que, mais uma vez, uma Lei da República sobre acessibilidades não foi cumprida!

Diz o Decreto-Leinº163/2006 que “As entidades públicas ou privadas que atuem em violação do disposto no presente decreto-lei incorrem em responsabilidade civil, nos termos da lei geral, sem prejuízo da responsabilidade contraordenacional ou disciplinar que ao caso couber”.

O que devia ser acessível para todos, desde ONTEM:

1 - As normas técnicas sobre acessibilidades aplicam-se às instalações e respetivos espaços circundantes da administração pública central, regional e local, bem como dos institutos públicos que revistam a natureza de serviços personalizados ou de fundos públicos.

2 - As normas técnicas aplicam-se também aos seguintes edifícios, estabelecimentos e equipamentos de utilização pública e via pública:
      a) Passeios e outros percursos pedonais pavimentados;
      b) Espaços de estacionamento marginal à via pública ou em parques de estacionamento público;
      c) Equipamentos sociais de apoio a pessoas idosas e ou com deficiência, designadamente lares, residências, centros de dia, centros de convívio, centros de emprego protegido, centros de atividades\ ocupacionais e outros equipamentos equivalentes;
      d) Centros de saúde, centros de enfermagem, centros de diagnóstico, hospitais, maternidades, clínicas, postos médicos em geral, centros de reabilitação, consultórios médicos, farmácias e estâncias termais;
      e) Estabelecimentos de educação pré-escolar e de ensino básico, secundário e superior, centros de formação, residenciais e cantinas;
      f) Estações ferroviárias e de metropolitano, centrais de camionagem, gares marítimas e fluviais, aerogares de aeroportos e aeródromos, paragens dos transportes coletivos na via pública, postos de abastecimento de combustível e áreas de serviço;
      g) Passagens de peões desniveladas, aéreas ou subterrâneas, para travessia de vias férreas, vias rápidas e autoestradas;
      h) Estações de correios, estabelecimentos de telecomunicações, bancos e respetivas caixas multibanco, companhias de seguros e estabelecimentos similares;
      i) Parques de estacionamento de veículos automóveis;
      j) Instalações sanitárias de acesso público;
      l) Igrejas e outros edifícios destinados ao exercício de cultos religiosos;
      m) Museus, teatros, cinemas, salas de congressos e conferências e bibliotecas públicas, bem como outros edifícios ou instalações destinados a atividades recreativas e socioculturais;
      n) Estabelecimentos prisionais e de reinserção social;
      o) Instalações desportivas, designadamente estádios, campos de jogos e pistas de atletismo, pavilhões e salas de desporto, piscinas e centros de condição física, incluindo ginásios e clubes de saúde;
      p) Espaços de recreio e lazer, nomeadamente parques infantis, parques de diversões, jardins, praias e discotecas;
      q) Estabelecimentos comerciais cuja superfície de acesso ao público ultrapasse 150 m2, bem como hipermercados, grandes superfícies, supermercados e centros comerciais;
      r) Estabelecimentos hoteleiros, meios complementares de alojamento turístico, conjuntos turísticos e ainda cafés e bares cuja superfície de acesso ao público ultrapasse 150 m2;
      s) Edifícios e centros de escritórios.

3 - As normas técnicas sobre acessibilidades aplicam-se ainda aos edifícios habitacionais.

Em todos os casos acima referidos, a maioria dos equipamentos continuam inacessíveis, consequentemente em incumprimento, banalizando as Leis e, portanto, o Estado de Direito.


RECURSO AOS TRIBUNAIS parece ser a única saída para fazer cumprir a Lei das acessibilidades. Se cada um, em cada caso comprovado de incumprimento, começar a interpor ações judiciais, é provável que se consiga criar jurisprudência suficiente para inibir a violação sistemática da Lei. É um problema que nos deve envolver a todos com o intuito de minimizar dificuldades futuras.


(…)  começámos há 34 anos com um Decreto que nunca entrou em vigor  (…)  tivemos em 1997 o Decreto-lei 123 que determinava que em 2004 todas as cidades estariam adaptadas, mas não foi isso que se verificou  (…)  em 2006 sai nova lei que amnistia todos os incumpridores e que define para fevereiro de 2017 o que já se tinha assumido em 1997  (…)


Use e abuse do contacto do Minuto Acessível para denunciar situações típicas de incumprimento.


Consulte AQUI o Decreto-Lei nº163/2006




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