A
propósito do DIA 3 de novembro,
que dizem ser o Dia da Pessoa com Deficiência
"Só
queria expressar que não há nada que me condicione mais do que uma sociedade
que ainda me discrimina com base na minha condição física.
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Crédito da foto: Carlos Barradas |
E como dizem ser o meu dia, pois vos confidencio:
Tenho
muito orgulho na mulher com deficiência em que me tornei. Sou uma afortunada
por ter energia e saúde para sair todos os dias de casa, esteja a chover
"albardas" no paraíso ou um sol que queima, para cumprir as minhas
obrigações laborais, ir às compras ou simplesmente comer um pãozinho de centeio
com fiambre de frango no café do costume.
Tenho
o privilégio de poder contar - também graças à minha determinação e até coragem - com assistentes pessoais financiadas pela CML, que me permitem viver sozinha e
ter a liberdade para viver como realmente quero.
Faço
parte da Associação Centro de Vida Independente que me possibilita, em conjunto
com os meus restantes companheiros de luta, exercer cidadania e continuar a
acreditar que cada um de nós (em união) tem mesmo o poder de mudar o mundo.
Sorrio
internamente quando me olho ao espelho e reparo que sou uma mulher bonita no
meu corpo imperfeito. Que não me iludo com piropos ou falinhas mansas porque a
minha deficiência não me retira "valor de mercado" e, por isso, não
permito que se sirvam de mim para alimentar egos inflamados que se acham os
maiores por dar atenção a mulheres da minha 'espécie'.
Mas,
acima de tudo isto, o maior prazer que tenho é ter a certeza que a minha voz
feminina de metro e meio de gente sentada, se projeta e é ouvida
independentemente do meu género ou condição física.
Uma
boa noite a todas as pessoas com diversidade funcional, principalmente às
mulheres que têm com elas um duplo estigma no corpo!"
Opinião de Diana Santos
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