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December 14, 2022

O Mundo é lá fora!

 DESAFIOS DE UMA PESSOA COM #DEFICIÊNCIA

CONSIDERA LILIANA SINTRA


A vida transforma-se numa luta e num desgaste permanente, uma corrida de #obstáculos, porque tudo é difícil, complicado, cheio de entropias: se vais a um #concerto, não vês nada, no cinema obrigam-te sempre a ficar na primeira fila, não podes decidir ir ao restaurante que acabou de ser inaugurado porque ninguém fiscalizou as #acessibilidades e te é vedado o acesso, os elevadores do metro estão permanentemente avariados, as rampas dos #autocarros idem, os motoristas da #uber recusam a viagem quando avistam a tua cadeira de rodas e tens que avisar com seis horas de antecedência se quiseres entrar no #comboio. Até para a eventualidade de ir à casa de banho eu tenho que planear antecipadamente. Estou cansada de pensar em planos z para conseguir sair de casa e acabo por ficar sempre cá dentro.


As pessoas dizem, permanentemente: quase nunca vemos ninguém com deficiência nas ruas, a ocupar o #espaçopúblico, não há crianças com #mobilidade condicionada nos parques, nas zonas de brincadeiras infantis, não há casais com deficiência a fazerem desporto no espaço público.

E, surpresa: não é uma escolha das pessoas com deficiência! As crianças com deficiência estão desejosas de brincar como todas as outras, os adultos de socializar como todos os outros, os grupos de amigos com deficiência de viverem o espaço público como todos os outros. Mas esta realidade obriga-te, empurra-te para o #isolamento porque, no fim, o meio esgota todas as tuas energias.

Reabilitem o espaço, o #meio, não as pessoas!

 O Mundo é lá fora!


Créditos: Liliana Sintra

 

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#cardosof  #minutoacessivel

December 5, 2018

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência


A propósito do DIA 3 de novembro, 
que dizem ser o Dia da Pessoa com Deficiência

"Só queria expressar que não há nada que me condicione mais do que uma sociedade que ainda me discrimina com base na minha condição física.
Crédito da foto: Carlos Barradas

E como dizem ser o meu dia, pois vos confidencio:

Tenho muito orgulho na mulher com deficiência em que me tornei. Sou uma afortunada por ter energia e saúde para sair todos os dias de casa, esteja a chover "albardas" no paraíso ou um sol que queima, para cumprir as minhas obrigações laborais, ir às compras ou simplesmente comer um pãozinho de centeio com fiambre de frango no café do costume.

Tenho o privilégio de poder contar - também graças à minha determinação e até coragem - com assistentes pessoais financiadas pela CML, que me permitem viver sozinha e ter a liberdade para viver como realmente quero.

Faço parte da Associação Centro de Vida Independente que me possibilita, em conjunto com os meus restantes companheiros de luta, exercer cidadania e continuar a acreditar que cada um de nós (em união) tem mesmo o poder de mudar o mundo.

Sorrio internamente quando me olho ao espelho e reparo que sou uma mulher bonita no meu corpo imperfeito. Que não me iludo com piropos ou falinhas mansas porque a minha deficiência não me retira "valor de mercado" e, por isso, não permito que se sirvam de mim para alimentar egos inflamados que se acham os maiores por dar atenção a mulheres da minha 'espécie'.

Mas, acima de tudo isto, o maior prazer que tenho é ter a certeza que a minha voz feminina de metro e meio de gente sentada, se projeta e é ouvida independentemente do meu género ou condição física.

Uma boa noite a todas as pessoas com diversidade funcional, principalmente às mulheres que têm com elas um duplo estigma no corpo!"


Opinião de Diana Santos



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May 29, 2018

#HeVuelto


Um jovem espanhol, que ficou tetraplégico há dois anos, tornou-se a primeira pessoa no mundo a ‘tweetar’ com os olhos a partir de um telemóvel.

A aplicação móvel, denominada por 'EyeTwitter', foi desenvolvida numa parceria entre o Mobile World Capital Barcelona, o Twitter e a empresa basca Irisbond. É a primeira no mundo tecnológico que permite interagir com o telemóvel através do olhar. 

Concretamente, o 'EyeTwitter' possibilita navegar pelo Twitter, fazer 'scroll', dar 'gosto' a um tweet, retweetar, reproduzir vídeos e consultar a lista de tendências usando unicamente os olhos. Permite ainda escrever tweets com a voz e enviá-los com o olhar

O jovem ficou tetraplégico há dois anos depois de sofrer um acidente. Segundo o Mobile World Capital Barcelona, Alberto foi o primeiro a testar a APP e tornou-se assim no protagonista da campanha #HeVuelto (“Voltei”).


(...) o seu primeiro tweet (...)




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March 27, 2018

Impacto da ASSISTÊNCIA PESSOAL


A Assistência Pessoal é um serviço especializado através do qual é disponibilizado apoio à pessoa com deficiência para a realização de atividades que, em razão das limitações decorrentes da sua interação com as condições do meio, não possa realizar por si própria.

No âmbito de um doutoramento em Psicologia Social sobre o impacto de fatores sociais e psicossociais na vida das pessoas com deficiência, Carla Branco, estudante no CIS-IUL, ISCTE-IUL, LiSP, está a desenvolver um estudo com o objetivo de perceber o impacto da assistência pessoal no bem-estar das pessoas com deficiência. O estudo permitirá acompanhar uma amostra de pessoas com deficiência em 3 períodos separados por 1 ano, podendo assim ajudar a comprovar os efeitos positivos da assistência pessoal na vida destas pessoas.


Caso tenha interesse em colaborar,
aceda AQUI ao questionário que demora em média 20 minutos a ser preenchido.



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March 6, 2018

27 ANOS



27 ANOS EM CADEIRA DE RODAS.

COMEMORO?

Fez 27 anos no último dia 20 de fevereiro que sofri o acidente que mudou a minha vida por completo (escrevi esta crónica no dia 17). Datas não é comigo. Também esta só me lembrei dela por acaso. Para mim sempre foi um dia como outro qualquer. Desta vez, a data surgiu-me na memória e tem-se mantido. Acho que é desta vez que me lembrarei do meu acidente no dia 20, e se fosse caso para comemorar, desta vez não aconteceria por falta de lembrança.

Sinceramente não me faz grande diferença lembrar-me ou não da data. Assim como não me faz confusão relatar o meu acidente, ou passar no local onde ele aconteceu. É perto da minha casa e passo por lá muitas vezes e não me perturba absolutamente nada.

Algo que também não aconteceu comigo foi o passar pelas fases que a maioria dos meus colegas relatam passar após trauma. Fases da negação, revolta, luto, aceitação. Comigo a grande preocupação foi tornar-me dependente fisicamente, e tentar encontrar uma maneira de continuar a ser independente financeiramente, e uma grande angústia por fazer sofrer a minha mãe.

A ilusão de vir a voltar a andar também nunca a alimentei. Fui sempre muito prático e objetivo. Viver o momento. Não sofrer por antecedência. O que tiver de ser será. Nada de dramas. Ainda funciono assim nos dias de hoje.

Procurar culpados também não foi comigo. Nunca me questionei ou preocupei em saber as causas do acidente. Foi um acidente de carro e ponto final. Ia a conduzir um Renault 5 GTL, pelas 15h do dia 20, na localidade de Alvega, a poucos quilómetros do local onde trabalhava, Restaurante Nova Nora, em Ribeira do Fernando. Conduzia sem cinto de segurança (na altura não era obrigatório o seu uso dentro das localidades), repentinamente o veículo foge-me para a faixa contrária, embate contra um muro, dá várias cambalhotas e sou cuspido por uma das portas que entretanto abriram, e sou projetado para um terreno agrícola com valas com alguma profundidade. Caí de costas, pescoço bateu numa das lombas da vala, e não mais me consegui mexer.

De imediato surgiram moradores da localidade, chamaram o INEM que até hoje não sei se demorou muito ou pouco a socorrer-me. Fui levado para o hospital mais próximo, que era o de Abrantes, nele colocaram-me tração cervical com 13 kg, e fui de seguida transferido para o Hospital de São José em Lisboa, com o diagnóstico de lesão cervical C4, C5 e C6, traumática completa.

Por lá, e por outros mais hospitais e clínicas, fiquei quase um ano internado. Em dezembro de 1991 vi a casa de uma irmã pela primeira vez. Ver a família reunida soube bem, mas sinceramente o desconforto era tanto, que estava desejoso para voltar ao centro de reabilitação onde me sentia seguro, e rodeado de outras pessoas como eu.

O olhar da minha mãe era o que mais me fazia sofrer. Vê-la sofrer por mim era e sempre foi muito doloroso. Custava-me muito mais que a minha situação. Era muito religiosa (6 anos após meu acidente faleceu) e sempre se orgulhou de eu ter nascido numa 5ª feira santa. Dizia-me com frequência: “Filho, nasceste num dia tão bonito e tens sofrido tanto”. O seu olhar era amor puro. Só ela o sabia dar daquela maneira. Sabia tão bem…

O acidente é esquecido com frequência, mas há algo que nunca esqueceria, se através do meu acidente tivesse magoado alguém. Felizmente viajava sozinho. Só de pensar nessa possibilidade chego a gelar. Nunca me perdoaria.

Quanto a mim, o acidente é mais um acidente de percurso, faz parte do estar vivo. A deficiência nunca foi o meu problema, mas sim o que me rodeia. Os obstáculos que sempre encontrei no meu dia-a-dia por ser um cidadão com deficiência. Isso sim, é um grande problema para mim”.



Testemunho de Eduardo Jorge, ativista pela Vida Independente, agora licenciado em Serviço Social, foi vítima de um acidente de viação em 1991 que o deixou tetraplégico.




Aceda AQUI ao Blogue Nós Tetraplégicos
Saiba mais sobre o Centro de Vida Independente




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February 20, 2018

João Sobre Rodas

João nasceu com paralisia cerebral. O problema não afectou “nem os movimentos nem os sentidos, mas apenas o equilíbrio” e desde então tem-no acompanhado a cadeira de rodas. É o primeiro YOUTUBER português com paralisia cerebral. No canal “João Sobre Rodas”, com mais de 600 subscritores, o João aborda a temática da acessibilidade.


O João é uma pessoa e o João Sem Rodas é alguém sem filtro, mas “sem desrespeitar ninguém”.


  • O João…


  • Desabafo!



  • E o carro!?


  • Taxis ou a Uber?



Fonte: Público


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May 2, 2017

A minha VIDA (IN)dependente


‘Muitas pessoas com deficiência encontram-se dependentes de outras pessoas para realizar inúmeras tarefas do dia-a-dia.

Se não tiverem apoio para a realização destas tarefas (que podem ser funções tao básicas como a higiene pessoal ou a alimentação), estas pessoas com deficiência ficam excluídas de qualquer processo de participação social em condições de igualdade.

Para que exista uma verdadeira igualdade de oportunidades é, portanto, necessário assegurar que estas incapacidades sejam superadas através do apoio de uma terceira pessoa’, in Centro de Vida Independente.





A vida independente para mim é a autonomia para sermos nós próprios”, Diana Santos, Psicóloga Clinica

Para mim a vida independente é ter a possibilidade de tomar as minhas decisões”, Sérgio Lopes, Estudante

A vida independente para mim é ser livre”, Carla OliveiraEstagiária na REN / Estudante Universitária

Para mim a vida independente é ter o poder de escolha”, Madalena Brandão, Estudante Universitária

A vida independente é para as pessoas com deficiência que dependem de terceiras pessoas para fazer a sua vida”, Jorge Falcato, Deputado

A vida independente para mim é poder escolher, ter direito de decidir”, Manuela Ralha, Presidente da Mithós

Ter uma vida independente é o que permite ter uma vida, a minha vida”, Cristina Frazão, Psicóloga / Formadora



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December 15, 2016

Cuidadores 'INFORMAIS'


Familiares, vizinhos e amigos são aqueles que cada vez mais se disponibilizam para ajudar quem não consegue viver sozinho. São dias, noites, semanas, meses e anos sem pausas, sem folgas. Portugal é já o país da Europa com maior número de cuidadores informais que prestam ajuda a pessoas dependentes.

Cláudia, 43 anos, diretora-executiva da Instituição Ajuda Cristã à Juventude,
com Mafalda Ribeiro
A rodar desde 1983, como gosta de dizer, Mafalda Ribeiro, 33 anos, é sobejamente conhecida por ter ossos de vidro ou, mais formalmente, uma osteogénese imperfeita. Tem 95% de incapacidade, mas faz por se focar nos seus 5% que funcionam. À nascença, o prognóstico médico ditava que não ia sobreviver, e pouco depois que nunca chegaria à idade de ir para a escola. Ultrapassou todos os obstáculos. O segredo, garante, é nunca se levar demasiado a sério e também contar com uma rede de cuidadores extraordinários, entre eles o pai, os amigos e a sua grande amiga Cláudia Sampaio.

Desde há dois anos que Cláudia se ofereceu para ser cuidadora de Mafalda Ribeiro e levá-la onde ela quisesse. 
"Não sou autónoma, mas isso tornou-me extremamente livre", refere Mafalda Ribeiro.

Conhece Mafalda Ribeiro desde o lançamento de Mafaldisses - Crónicas Sobre Rodas, em 2008 - e tempos depois deu por ela a perguntar-lhe o que gostaria de fazer. "Foi quando me contou que era convidada para muita coisa mas nem sempre ia, porque para o fazer precisava sempre de ajuda", refere Cláudia. Era tudo o que queria ouvir. "Se é isso que precisas, é isso que quero fazer", adiantou. O primeiro passo foi conhecê-la, saber como podia ser a sua extensão, os seus braços e pernas, e passou a ser o apoio que Mafalda precisava para se deslocar. Cláudia garante que não mais vacilou: "Poder contribuir para que a força dela contagie outros é uma oportunidade única na vida."

É uma história feliz, que se quer inspiradora para um mundo de cuidadores informais que cresce por todo o País, mas a verdade é que nem todas as essas vidas têm contornos assim tão extraordinários e a maioria não é sequer reconhecida, quanto mais valorizada.

A dificuldade no apoio a todos aqueles que por uma razão ou outra ficaram dependentes é crescente. "Vivemos num mundo em que as pessoas não querem pensar nisso, afinal não é um assunto sexy", lamenta Rosário Sobral, presidente da direção da Associação para o Desenvolvimento de Novas Iniciativas para a Vida (Advita).



Perto de cem mil portugueses sobrevivem com ajuda de outros e estes são, em 80% dos casos, CUIDADORES INFORMAIS.






Relacionado: Mais um ALERTA



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December 3, 2016

Mais um ALERTA


“O aumento da esperança média de vida, os avanços da medicina e o envelhecimento da população transformaram cada ser humano numa potencial pessoa com deficiência”, in “Pessoas com deficiência em Portugal”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, de Fernando Fontes.

Hoje, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, é importante que a sociedade conheça a realidade e que se indigne com a indiferença relativa aos problemas das pessoas com deficiência. Todos nós um dia vamos necessitar de encontrar a ‘casa arrumada’.

O sociólogo e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, especialista em políticas de deficiência e crimes de ódio contra pessoas com deficiência, é o autor do ensaio “Pessoas com deficiência em Portugal”



Pressão nas famílias, pobreza, falta de inclusão, barreiras físicas e sociais por resolver. Fernando Fontes diz que somos mais condescendentes com quem “fica deficiente” do que com quem “nasce deficiente”; sublinha que vemos a deficiência como uma sentença de morte e refere que só quando temos de andar, por exemplo, com um carrinho de bebé num pavimento desnivelado é que percebemos as dificuldades de uma pessoa em cadeira de rodas.

A 14 de Outubro de 1992, o 37º plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, através da resolução nº 47/3, convida todos os estados membros e as organizações envolvidas na problemática da deficiência, a intensificarem os seus esforços de forma eficaz e sustentada, com vista a melhorar a situação das pessoas com deficiência, proclamando o dia 3 de dezembro como o “Dia Internacional da Pessoas com Deficiência”.

De um modo geral passa despercebido ao comum dos cidadãos esta problemática da deficiência / incapacidade. Somente quando lidamos com alguém, algum familiar ou amigo com deficiência, é que verificamos que existem pessoas com necessidades particulares. A maioria é excluída de qualquer atividade social e de trabalho por problemas de incapacidade mas também de preconceito, sendo que as mulheres correm um risco acrescido.



Fonte: Com base num artigo do Observador


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