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January 19, 2024

Cartão Europeu de DEFICIÊNCIA

Os eurodeputados já aprovaram a criação de um Cartão Europeu de Deficiência para apoiar o direito das pessoas com deficiência à livre circulação dentro da União Europeia (UE). O cartão reconhece o estatuto de deficiência para efeitos de trabalho, estudo e Erasmus+, entre outras situações.

 

A proposta de diretiva introduz o Cartão de Deficiência a nível da UE e reformula o Cartão Europeu de Estacionamento para pessoas com deficiência, a fim de garantir que, quando viajam por um curto período, tenham acesso às mesmas condições especiais que as pessoas que residem nesse estado-membro. Isto porque as pessoas com deficiência deparam-se regularmente com barreiras quando viajam para outro estado-membro, uma vez que o seu estatuto de deficiência nem sempre é reconhecido em toda a UE.

Ambos os cartões visam os cidadãos da UE cujo estatuto e direitos em matéria de deficiência são reconhecidos pelo estado-membro em que residem, aos seus familiares e às pessoas que os acompanham ou assistem.

 

As novas regras tornarão mais fácil as deslocações das pessoas na UE, garantindo o acesso a condições especiais em todos os estados-membros.

 

 

Saiba mais AQUI

Fonte: Sónia Santos Dias, negócios Sustentabilidade



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December 14, 2022

O Mundo é lá fora!

 DESAFIOS DE UMA PESSOA COM #DEFICIÊNCIA

CONSIDERA LILIANA SINTRA


A vida transforma-se numa luta e num desgaste permanente, uma corrida de #obstáculos, porque tudo é difícil, complicado, cheio de entropias: se vais a um #concerto, não vês nada, no cinema obrigam-te sempre a ficar na primeira fila, não podes decidir ir ao restaurante que acabou de ser inaugurado porque ninguém fiscalizou as #acessibilidades e te é vedado o acesso, os elevadores do metro estão permanentemente avariados, as rampas dos #autocarros idem, os motoristas da #uber recusam a viagem quando avistam a tua cadeira de rodas e tens que avisar com seis horas de antecedência se quiseres entrar no #comboio. Até para a eventualidade de ir à casa de banho eu tenho que planear antecipadamente. Estou cansada de pensar em planos z para conseguir sair de casa e acabo por ficar sempre cá dentro.


As pessoas dizem, permanentemente: quase nunca vemos ninguém com deficiência nas ruas, a ocupar o #espaçopúblico, não há crianças com #mobilidade condicionada nos parques, nas zonas de brincadeiras infantis, não há casais com deficiência a fazerem desporto no espaço público.

E, surpresa: não é uma escolha das pessoas com deficiência! As crianças com deficiência estão desejosas de brincar como todas as outras, os adultos de socializar como todos os outros, os grupos de amigos com deficiência de viverem o espaço público como todos os outros. Mas esta realidade obriga-te, empurra-te para o #isolamento porque, no fim, o meio esgota todas as tuas energias.

Reabilitem o espaço, o #meio, não as pessoas!

 O Mundo é lá fora!


Créditos: Liliana Sintra

 

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June 11, 2022

“Aceitar, Adaptar e Avançar”


O mercado de trabalho desconhece a eficiência de uma pessoa com deficiência motora 



Considera João Antunes que, 

“Nos processos de recrutamento cheguei a ser questionado se por questões de imagem a utilização da canadiana seria algo momentâneo ou definitivo, e ouvi as desculpas mais incríveis para camuflar a falta de desejo e vontade em dar-me uma oportunidade”. 

"O pontapé de saída no mercado de trabalho foi dado em novembro de 2009, numa empresa de telecomunicações. Não me esqueço que, após o término da entrevista, fui questionado se era uma pessoa que costumava faltar por questões de saúde. Com base nesta questão, e apesar da minha resposta (só faltava ao trabalho se não me conseguisse levantar da cama), pensei que as minhas hipóteses eram perto de nulas. No entanto, tive uma agradável surpresa: fiquei com a posição e tive a oportunidade de conhecer colegas fantásticos e um country manager a que ainda hoje, passados mais de dez anos, agradeço tudo o que fez por mim”.

 “Esse ano de experiência ajudou-me a percorrer os primeiros quilómetros numa realidade completamente ímpar, mas nunca imaginando o que estava para vir. Nessa altura, quando olhava para a vida e fazia dela um videojogo onde as minhas escolhas eram feitas sem qualquer limitação, estava longe de pensar que alguns anos depois elas seriam infinitamente limitadas.”

“Quando deixei este emprego, posso afirmar que sofri em primeira mão as piores experiências de alguém que possui vontade de trabalhar, mas que face às suas limitações acaba por sofrer. Nessa fase, decidi arriscar em omitir no meu CV a adenda reportando a minha incapacidade física, isto porque pretendia que as pessoas me avaliassem pelas minhas valências e não pelo handicap que possuo”.

 “Durante o período de desemprego fui entrevistado numa esplanada de café, por falta de acessibilidades e de infraestruturas adaptadas. Muitas vezes, era forçado a visitar no dia anterior a empresa, para averiguar os sistemas de mobilidade do espaço. Fazia este trabalho prévio para não ser apanhado desprevenido no dia da entrevista”.

“As “negas” contínuas que fui acumulando estavam a tornar-me ainda mais forte psicologicamente, mesmo que a revolta muitas vezes se apoderava de mim. Não esperava compaixão, empatia ou ser utilizado como uma bandeira direcionada à inclusão no mercado de trabalho. O meu objectivo sempre foi aprender, evoluir enquanto profissional e ser humano e, acima de tudo, acrescentar valor à instituição que me desse a oportunidade”.

 “Passados alguns meses sem trabalho, sou convidado pelo anteriormente mencionado country manager a acompanhá-lo num novo desafio – ao qual respondi afirmativamente. Numa fase inicial desta nova aventura, conseguia deslocar-me até às instalações da empresa, mas sempre com a premonição de que mais tarde ou mais cedo aquela variável seria alterada até porque tanto o estacionamento, como os acessos às instalações, não estariam aptos para uma pessoa incapacitada fisicamente”.

 “Infelizmente, alguns meses depois dei início a uma nova realidade: o teletrabalho. Não sou o maior apologista deste modelo de trabalho para quem está a começar um novo desafio profissional. No meu ponto de vista é um obstáculo à integração, dificulta a compreensão dos processos da empresa e não permite conhecer adequadamente os colegas. Esta falta de entrosamento pode desencadear uma péssima experiência”. 

 

Queixas de discriminação por deficiência sobem 30%, a maioria por causa de acessibilidade



O Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) continua a fazer 'discursos', só registou uma contra-ordenação. O acesso a direitos fica em segundo lugar entre as queixas mais frequentes. Quem está no terreno fala de ineficácia da lei e de falta de fiscalização e o INR não se mexe!

 

 

 

Entrevistado: João Antunes : Natural de Lisboa. Brand Manager na Bee Engineering ICT. Lema de vida: aceitar, adaptar e avançar

  

Relacionado‘Naufrágio’,10 Anos DEPOIS

 

Fonte: PUBLICO



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June 4, 2022

Finalmente… +1 estação


Cidade Universitária | Inauguração dos elevadores | Metro de Lisboa


A estação da Cidade Universitária serve a Universidade de Lisboa e o Hospital de Santa Maria. Esta estação, de 1988, foi desenhada pelo arquitecto Sanchez Jorge, com obras de arte da pintora Maria Helena Vieira da Silva e painéis de azulejo por Manuel Cargaleiro.

 

Finalmente, estação de Metro da Cidade Universitária passou a ser acessível a todas as pessoas com a instalação de três elevadores, desde maio de 2022. Existe pavimento táctil nos cais de embarque e estão disponíveis anúncios sonoros e visuais. A estação Cidade Universitária do Metropolitano de Lisboa passará a dispor de acessibilidade plena com a instalação dos elevadores e eliminação de barreiras arquitetónicas. O elevador exterior está localizado na Avenida Professor Gama Pinto, em frente à “Cantina Velha” da Universidade de Lisboa. Este elevador permite o acesso ao átrio da estação, onde se efetua a validação do título de transporte. Após a linha de controlo, estão localizados dois elevadores de ligação entre o átrio e cada um dos cais de embarque.

  


Com o contributo de Diogo Martins

Relacionados: O Verdadeiro Mapa do METRO


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May 19, 2022

QUEBRA DEGRAUS

 

Porque o Decreto-Lei n.º 163/2006 continua a ser ignorado, porque a fiscalização não existe ou é incompetente, porque o Estado continua a ignorar o cumprimento da legislação relativa à ACESSIBILIDADE, a ASSOCIAÇÃO SALVADOR tem uma nova campanha, intitulada Quebra Degraus”, que pretende abrir caminho para uma mudança efetiva, que acabe com a exclusão social e o isolamento de milhares de pessoas com deficiência motora em todo o País.




 

Estamos em pleno século XXI, todos os dias surgem invenções, novas tecnologias e quebram-se mais barreiras. Mas e os milhares de pessoas que continuam isoladas entre quatro paredes? Durante o confinamento, o mundo inteiro teve oportunidade de sentir na pele aquilo pelo qual as pessoas com deficiência motora passam diariamente, durante uma vida inteira. Agora que retomámos a vida normal, vão voltar a deixar-nos para trás?, considerou Salvador Mendes de Almeidapresidente e fundador da Associação Salvador.


 

 

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January 25, 2022

30 de janeiro

A 30 de janeiro os portugueses são convidados a ir às urnas votar naquele que será o XXIII Governo da República. 

Um momento decisivo, que irá decidir o futuro do país… Mas e o das pessoas com deficiência? As estratégias são pensadas para um país totalmente inclusivo? A Associação Salvador exige uma estratégia, fiscalização e uma revisão ao Decreto-Lei 163/2006


(...) CHEGA DE PROMESSAS (...)







Salvador Mendes de Almeida, presidente e fundador da Associação Salvador, considera que “ainda há um longo caminho a percorrer e que esta realidade é extramente preocupante”. 


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Campanha desenvolvida pela nove

 

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November 5, 2021

Porquê?

 


Somos tão competentes a criar comissões neste país, que me atrevo a sugerir que se crie a Comissão de Análise para os Passeios do século XXI

 

 

 

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October 8, 2021

SR(a) Presidente, SRS Vereadores


Sabemos hoje que mais de 70% das Câmaras Municipais não tem qualquer Plano de Acessibilidades implementado.

“Ponha-se no nosso lugar” -  Associação Salvador alerta candidatos autárquicos para problemas de acessibilidades


Salvador Mendes de Almeida, Presidente e Fundador da Associação Salvador, considera que ainda há um longo caminho a percorrer e que esta realidade é extramente preocupante.

 



É urgente que nos próximos 4 anos a Lei das Acessibilidades seja cumprida e que as autarquias garantam a sua fiscalização. As autarquias não devem continuar a ser cúmplices do isolamento que a maioria das pessoas com mobilidade reduzida estão sujeitas. Como todos já percebemos – durante a pandemia – estar confinado não é saudável, aumenta a ansiedade, o estresse e concorre para a depressão.

 

  

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Campanha desenvolvida pela nove

 

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June 25, 2021

Vacina para a ACESSIBILIDADE


Porque o Decreto-Lei n.º163/2006 continua a ser ignorado, porque a fiscalização não existe ou é incompetente, porque o Estado continua sem agir, certamente, vamos precisar de VACINAS para nos imunizarmos contra a falta de acessibilidades no nosso país.  

Foi preciso que o processo de vacinação em curso – relativo à pandemia – tivesse que recorrer a uma escola no Porto, com o objetivo de a usar como centro de vacinação, para percebermos que essa mesma escola não é acessível a eventuais alunos com mobilidade reduzida, mas também para percebermos qual é o nível de preocupação que os responsáveis pelo edificado público conferem à falta de acessibilidades. São escolas, são tribunais, são serviços de finanças e outros similares, são centros de saúde, são zonas de lazer, enfim, quase todo o espaço da competência pública continua inacessível.

 








Tiveram que ser os seguranças a transportar nos braços quem chegava de cadeira de rodas e a servir de auxílio às restantes pessoas com mobilidade reduzida. 


Fica a pergunta: se houver um acidente quem é RESPONSÁVEL?

 

como diz o slogan

ESTAMOS ON

... mas sem acessos ...

 


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May 6, 2021

Evolução e seleção natural

Charles Darwin era um naturalista britânico que propôs a teoria da evolução biológica por seleção natural. A seleção natural faz com que as populações se adaptem, ou se integrem cada vez melhor, aos diversos ambientes ao longo do tempo. 

Por mais tempo que passe – e já lá vão uns séculos – os responsáveis pelos percursos pedonais que temos nas nossas cidades, ainda não perceberam que os pisos empedrados não são adequados à nossa mobilidade. As pessoas com Mobilidade Reduzida ficam mesmo com a sua capacidade de locomoção totalmente comprometida. Em pleno sec.XXI, com a diversidade de soluções a que temos acesso, será que os nossos urbanistas só pensam em pedras!!@?

 

O 'nosso' Super-Mário, naturalmente,  escolheu o melhor pavimento para se deslocar  
(crédito da foto - instagran taniaribas 22/05)


Provavelmente, a teoria de Darwin não se aplica a esta gente brilhante que é responsável pela evolução da ‘nossa urbe’.  

 

 

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April 23, 2021

Permanentemente CONFINADOS

“Vivemos permanentemente confinados. Quem consegue identificar uma rua no nosso país onde não encontremos um obstáculo à mobilidade? Este é o panorama em pleno século XXI: degraus no acesso aos restaurantes, uma escadaria à porta de casa, calçada portuguesa sem manutenção, passadeiras não rebaixadas”, explica Salvador Mendes de Almeida, Presidente da Associação Salvador


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March 16, 2021

‘Milhões’ de ANOS DEPOIS

 .... continua em vigor a 'VIOLAÇÃO' do Decreto-Lei nº163/2006 ...


(…) começámos há 39 anos com um Decreto que nunca entrou em vigor (…) tivemos em 1997 o Decreto-lei 123/97 que determinava que em 2004 as cidades seriam acessíveis - espaço publico, espaço privado, via-pública, restauração, hotelaria, serviços, transportes, etc - em conformidade com as normas técnicas do decreto, mas não foi isso que se verificou (…) em 2006 é promulgada nova legislação – Decreto-Lei nº163/2006 – que acrescenta a obrigação de tornar acessível todo edificado habitacional, definindo para 2017 o que já se tinha determinado para 2004 (…) 


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October 13, 2020

'os nossos passeios'

Sempre foi comum dizer-se que ‘Tempo é Dinheiro’!?. A sabedoria popular tem a característica de ser oportuna, precisa e pertinente. Com apenas três palavras, este velho ditado popular pretende evidenciar que é necessário rentabilizarmos o nosso tempo. Atualmente, para além do tempo, há a necessidade de rentabilizarmos o nosso espaço. Provavelmente, fará sentido começar a dizer-se que ‘Espaço é Dinheiro’!? ou, se optarmos por um dos mecanismos de gestão mais conhecidos, a fusão, poderíamos reinventar o velho ditado e passar a afirmar que ‘Tempo e Espaço são Dinheiro’!?

* serve esta pequena introdução para vos falar sobre os ‘os nossos passeios’ *


Refiro-me aos passeios que temos em Portugal, aqueles que fazem parte da nossa via pública e que existem em todas as nossas cidades, vilas e aldeias. Carinhosamente, vou batizá-los por ‘os nossos passeios’. Toda este espaço junto, todos esses metros quadrados somados, constituem uma área com uma dimensão a perder de vista, mas que, no essencial, não serve para quase-nada!!? É verdade, quase ninguém os usa porque não foram feitos para serem usados pelas pessoas. Um destes dias estava a ver televisão e a minha atenção despertou para um anuncio que dizia, entre outras coisas, que: ‘podem tirar-me o fado, podem tirar-me a visão, podem tirar-me a calçada, podem até tirar-me a fala, mas não me tirem o azeite…’ Só depois percebi, que não era verdade, de facto ninguém queria remover a velha calçada dos passeios, muito pelo contrário, tratava-se apenas de uma técnica de comunicação que apelava à nostalgia pela positiva.


A tradição da calçada de ‘os nossos passeios é, segundo alguns, mais uma das montras vivas representativas da nossa cultura centenária e que devemos manter, no mínimo, por mais mil anos! Eu penso exactamente o contrário. Eu digo com convicção, que ‘os nossos passeios’ são um contribuinte líquido para o aumento da falta de acessibilidades. Excluem quase tudo e quase todos. Diariamente, nos locais mais diversos, todos nós vemos pessoas a caminhar à beira de ‘os nossos passeios’ ou, dito de outra forma, pela beira da estrada. É verdade, as pessoas escolhem, naturalmente, os caminhos que consideram mais adaptados à sua locomoção. Infelizmente, ‘os nossos passeios’ não têm essa característica fundamental. O problema complica-se ainda mais quando pensamos nos cidadãos com mobilidade reduzida, nos pais com os carrinhos de bebés, nas pessoas mais idosas ou mesmo nas mulheres portuguesas que arrisquem o uso de sapatos de salto alto


Por isso os vemos todos os dias a caminhar na estrada, na direcção dos automobilistas, colocando a sua vida, e a dos outros, em risco. Os deficientes motores que necessitam de se deslocar em cadeiras de rodas, acabam por ser obrigados a converter-se em condutores de ligeiros sem matrícula, muito provavelmente, sem carta para o efeito. Não me lembro de encontrar no código da estrada, normas que contemplem esta evidência. Afinal existem mais duas grandes categorias de veículos para além dos pesados e dos ligeiros, a saber, as cadeiras de rodas com motor e as cadeiras de rodas sem motor!

Mesmo assim, quando os nossos passeios têm a dimensão adequada, coisa rara, acabamos por encontrar de quase tudo a bloqueá-los: árvores, paragens de autocarro, ecopontos, obras, cabines telefónicas, postes de eletricidade, sinais de trânsito, etc. No enquadramento dos nossos compromissos comunitários enquanto país que deve ter em atenção a inclusão de todos os cidadãos europeus, tudo isto parece irreal, mas por aqui ninguém quer saber. Propositadamente, não me referi aos carros estacionados em cima dos passeios. Esse é um problema que depende apenas do nosso civismo ou da falta dele e, somos nós enquanto cidadãos, que o temos de resolver. Contudo, acredito seriamente, que as Policias e as Entidades Fiscalizadoras poderiam ajudar, se é que não há nenhum exagero neste tipo de pedido! Ainda assim, e no meio de tantos obstáculos, acaba por ser a velha e desadequada ‘calçada portuguesa’ o maior dos inimigos. 

Esta calçada em tudo o que são ‘os nossos passeios, é um contratempo desnecessário e dispendioso. Surgiu no século XIX e é ainda amplamente usada no calçamento em quase todas as cidades. Eu diria que é cada vez mais atual, muito embora já estejamos no século XXI. É um piso geralmente desnivelado, que se baseia em pedras de formato irregular, geralmente de calcário e por vezes pontiagudas, intervaladas com buracos de maior ou menor dimensão. Desnivelado porque na grande maioria dos casos nem se dão ao trabalho de nivelar o terreno e, com muitos buracos, porque também não se dão ao trabalho de os compactar devidamente. É, certamente, um piso excelente para algumas modalidades radicais, mas fica muito aquém de oferecer a segurança e o conforto necessários a quem se atreva a pisá-los sem usar equipamento adequado

As cadeiras de rodas só poderiam circular nos  ‘os nossos passeios se os pneus fossem idênticos aos dos tratores uma vez que não existem, ou não conheço, outro tipo de equipamento que seja viável para o efeito. Mas, alguns, são bonitos. Formam padrões decorativos pelo contraste entre as pedras de distintas cores, normalmente, o branco, o preto, o marrom e o vermelho. Bonitos, mas inúteis. Não sou nem tenho de ser contra este tipo de Decoração, apenas considero que devem coexistir alternativas ou então, fazê-lo apenas nas grandes praças e nunca nos passeios. Aí sim, podem fazer-se grandes ‘decorações’ para nos elevar o ego. 

Quem tem responsabilidades sobre o ordenamento/desenvolvimento das cidades e dos seus equipamentos, devia olhar para os outros países da Europa e perceber porque e como é que as pessoas usam, de facto, os passeios. É fácil, até pela televisão se percebe que os passeios na maioria dos países da comunidade não são como ‘os nossos passeios’, são Passeios a sério. As pessoas usam-nos das mais variadas formas: caminhando, de bicicleta, de patins, etc e os que têm mobilidade reduzida não encontram obstáculos. Criamos tantas comissões neste país que, me atrevo a sugerir, que criem a Comissão de Análise para os Passeios do Sec. XXI. O trabalho a desenvolver é simples: basta viajar, olhar com atenção e tirar notas. Temos que repensar os Passeios para evitar os erros cometidos e que continuamos a cometer. Vila Nova de Gaia já o começou a fazer. Qualquer um pode deslocar-se pelo passeio marítimo sem qualquer tipo restrições. Na cidade, a maior parte dos passeios são acessíveis e a sensação é boa.



Não uso o ‘Nunca’ nem o ‘Para Sempre’ mas tenho quase a certeza que, tal como não consigo deslocar-me na minha cadeira de rodas em sítios como o Parque das Nações, a nova Ribeira das Naus ou na nova Marina de Lagos, também já não será no meu tempo de vida que vou usar a maioria de ‘os nossos passeios’.

 

Lamento e sinto falta.


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