May 16, 2018

APP + ACESSO PARA TODOS


A ‘ACESSIBILIDADE’ pode ser definida como a capacidade do meio de proporcionar a todos uma igual oportunidade de uso, de uma forma direta, imediata, permanente e o mais autónoma possível.

A Associação Salvador lançou a APP + Acesso Para Todos, uma aplicação para IPhone, que permite classificar os espaços ao nível das acessibilidades, partilhar bons exemplos e denunciar aqueles que não reúnem as condições de acesso a pessoas com Mobilidade Reduzida previstas pela Lei Portuguesa. Estas denúncias, para agilizar o processo burocrático, são automaticamente formatadas pela APP e enviadas em seu nome para as entidades competentes pela sua fiscalização.



Terminou no dia 8 de fevereiro de 2017 o prazo legal para a adaptação de espaços de uso público às necessidades de pessoas com mobilidade condicionada, vulgarmente denominados por Pessoas com Deficiência. A lei de 2006 – Decreto-Lei 163/2006 – previa um prazo de dez anos para a adaptação dos espaços públicos, edifícios e via pública e dos espaços privados de uso público. Confirma-se o incumprimento generalizado da legislação e esta não foi a primeira vez que tal sucedeu. O decreto atualmente em vigor revogou um decreto anterior, de 1997 – Decreto-Lei 123/97 – que já havia determinado o prazo de execução das medidas até setembro de 2004.

O Sr.Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, e a Sra, Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, estiveram presentes no momento em que o Salvador Mendes de Almeida e o Ricardo Teixeira, num percurso pedonal por Lisboa, evidenciaram a necessidade de lançar esta APP.

O Sr.Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa,  testa a APP
Em debate o tema da ACESSIBILIDADE, propostas, ideias e soluções

Desde a generalidade dos serviços públicos aos transportes, passando por edifícios habitacionais, zonas de lazer, áreas pedonais até à restauração e à hotelaria, quase nada está em conformidade com as Leis da República e nesse sentido quase nada é acessível. Os cidadãos com deficiência, os mais idosos, os pais que passeiam os seus filhos em carrinhos de bebé, enfim, todos aqueles que de forma permanente ou temporária têm mobilidade reduzida, vêm os seus direitos à cidadania comprometidos, porque se ignoram as leis e o Estado não zela pelo seu cumprimento.



JÁ ALGUMA VEZ PRATICOU CROSSABILITY?




Pode descarregar a APP + Acesso Para Todos em:


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April 30, 2018

Vá de Google Maps…




Google Maps tem novo recurso a pensar nos utilizadores com mobilidade condicionada

Informações sobre quais as estações acessíveis ou as rotas mais fáceis para quem anda de cadeiras de rodas ou tem outras limitações nem sempre são fáceis de encontrar. O Google Maps quer ultrapassar essas restrições com uma nova funcionalidade.

Na tentativa de tornar mais fácil que as pessoas que usam cadeiras de rodas ou que tenham outras necessidades de mobilidade possam tirar proveito de todas as informações que o Maps pode fornecer, a Google anunciou rotas mais user friendly na aplicação de navegação que agora inclui a opção “Wheelchair Accessible”.




Para ver os caminhos disponíveis, só tem que escrever qual é o seu destino, selecionar a opção Direções e o ícone de transporte público. Em seguida, basta ir às Opções e irá aparecer um novo tipo de rota. Certifique-se de que esta opção está marcada e o Google Maps mostra-lhe uma lista dos caminhos mais fáceis de percorrer para quem alguma limitação motora ou, por exemplo, para pais com carrinhos de bebé.


De acordo com a Google, esta facilidade deve em breve ser expandida para incluir mais cidades para além de Londres, Tóquio, Cidade do México, Boston e Sydney.




Fonte: SAPOTEK

Com a colaboração de Rita Valadas



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April 6, 2018

Sente-se na minha cadeira: a cidade não é para todos


Num país em que a acessibilidade é a excepção, as pessoas com Mobilidade Reduzida têm que planear todos os seus dias ao pormenor.

36 anos após as primeiras iniciativas em prol das acessibilidades, Portugal continua a ser um país inacessível porque as Leis não se cumprem nem se fazem cumprir.

O que faltou nestes 36 anos?
Vontade política, financiamento, fiscalização e reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência.

O que falta agora?
Vontade política, financiamento, fiscalização e reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência.


Carlos Nogueira fez uma viagem por Lisboa com o intuito de mostrar a falta de acessibilidades e as dificuldades que as pessoas com Mobilidade Reduzida encontram todos os diasCuriosamente nem foi preciso visitar o passado porque as mais recentes obras arquitetónicas evidenciam a falta de respeito pelas pessoas com deficiência. Desde o Parque da Nações ao maat, passando pela Ribeira da Naus, tudo é arquitetonicamente incompetente, para além de violar as Leis desta 'nossa' República. 


Clique na imagem para aceder aos 5 vídeos gravados em 360º e perceba o que significa viver sentado numa cadeira de rodas nas nossas cidades. Com o ponteiro do rato pode direcionar a imagem para onde pretender e dessa forma constatar melhor quais são os muros que se levantam por aí.


Fica mais um agradecimento
ao Carlos Nogueira


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March 27, 2018

Impacto da ASSISTÊNCIA PESSOAL


A Assistência Pessoal é um serviço especializado através do qual é disponibilizado apoio à pessoa com deficiência para a realização de atividades que, em razão das limitações decorrentes da sua interação com as condições do meio, não possa realizar por si própria.

No âmbito de um doutoramento em Psicologia Social sobre o impacto de fatores sociais e psicossociais na vida das pessoas com deficiência, Carla Branco, estudante no CIS-IUL, ISCTE-IUL, LiSP, está a desenvolver um estudo com o objetivo de perceber o impacto da assistência pessoal no bem-estar das pessoas com deficiência. O estudo permitirá acompanhar uma amostra de pessoas com deficiência em 3 períodos separados por 1 ano, podendo assim ajudar a comprovar os efeitos positivos da assistência pessoal na vida destas pessoas.


Caso tenha interesse em colaborar,
aceda AQUI ao questionário que demora em média 20 minutos a ser preenchido.



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March 23, 2018

VIVER




(...) 'curar-me' foi aprender a VIVER com o que me aconteceu (…)



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March 16, 2018

Disabled Go


“Developed by disabled people 
for disabled people”

Aqui pode encontrar informações detalhadas sobre a acessibilidade de milhares de locais em todo o Reino Unido e na República da Irlanda: lojas, restaurantes, cinemas, teatros, estações ferroviárias, hotéis, universidades, hospitais e muito mais.

Um projeto que foi desenvolvido há já 14 anos e que tem como primeiro objetivo dar a conhecer às pessoas com mobilidade reduzida, quais os locais mais acessíveis sempre que necessitem de viajar e conhecer novos locais. Um bom exemplo de como é possível classificar os lugares em função da sua acessibilidade a pessoas com algum tipo de deficiência.




A ACESSIBILIDADE pode ser definida como a capacidade do meio de proporcionar as condições mínimas necessárias às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, para a utilização com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços públicos ou privados.


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March 6, 2018

27 ANOS



27 ANOS EM CADEIRA DE RODAS.

COMEMORO?

Fez 27 anos no último dia 20 de fevereiro que sofri o acidente que mudou a minha vida por completo (escrevi esta crónica no dia 17). Datas não é comigo. Também esta só me lembrei dela por acaso. Para mim sempre foi um dia como outro qualquer. Desta vez, a data surgiu-me na memória e tem-se mantido. Acho que é desta vez que me lembrarei do meu acidente no dia 20, e se fosse caso para comemorar, desta vez não aconteceria por falta de lembrança.

Sinceramente não me faz grande diferença lembrar-me ou não da data. Assim como não me faz confusão relatar o meu acidente, ou passar no local onde ele aconteceu. É perto da minha casa e passo por lá muitas vezes e não me perturba absolutamente nada.

Algo que também não aconteceu comigo foi o passar pelas fases que a maioria dos meus colegas relatam passar após trauma. Fases da negação, revolta, luto, aceitação. Comigo a grande preocupação foi tornar-me dependente fisicamente, e tentar encontrar uma maneira de continuar a ser independente financeiramente, e uma grande angústia por fazer sofrer a minha mãe.

A ilusão de vir a voltar a andar também nunca a alimentei. Fui sempre muito prático e objetivo. Viver o momento. Não sofrer por antecedência. O que tiver de ser será. Nada de dramas. Ainda funciono assim nos dias de hoje.

Procurar culpados também não foi comigo. Nunca me questionei ou preocupei em saber as causas do acidente. Foi um acidente de carro e ponto final. Ia a conduzir um Renault 5 GTL, pelas 15h do dia 20, na localidade de Alvega, a poucos quilómetros do local onde trabalhava, Restaurante Nova Nora, em Ribeira do Fernando. Conduzia sem cinto de segurança (na altura não era obrigatório o seu uso dentro das localidades), repentinamente o veículo foge-me para a faixa contrária, embate contra um muro, dá várias cambalhotas e sou cuspido por uma das portas que entretanto abriram, e sou projetado para um terreno agrícola com valas com alguma profundidade. Caí de costas, pescoço bateu numa das lombas da vala, e não mais me consegui mexer.

De imediato surgiram moradores da localidade, chamaram o INEM que até hoje não sei se demorou muito ou pouco a socorrer-me. Fui levado para o hospital mais próximo, que era o de Abrantes, nele colocaram-me tração cervical com 13 kg, e fui de seguida transferido para o Hospital de São José em Lisboa, com o diagnóstico de lesão cervical C4, C5 e C6, traumática completa.

Por lá, e por outros mais hospitais e clínicas, fiquei quase um ano internado. Em dezembro de 1991 vi a casa de uma irmã pela primeira vez. Ver a família reunida soube bem, mas sinceramente o desconforto era tanto, que estava desejoso para voltar ao centro de reabilitação onde me sentia seguro, e rodeado de outras pessoas como eu.

O olhar da minha mãe era o que mais me fazia sofrer. Vê-la sofrer por mim era e sempre foi muito doloroso. Custava-me muito mais que a minha situação. Era muito religiosa (6 anos após meu acidente faleceu) e sempre se orgulhou de eu ter nascido numa 5ª feira santa. Dizia-me com frequência: “Filho, nasceste num dia tão bonito e tens sofrido tanto”. O seu olhar era amor puro. Só ela o sabia dar daquela maneira. Sabia tão bem…

O acidente é esquecido com frequência, mas há algo que nunca esqueceria, se através do meu acidente tivesse magoado alguém. Felizmente viajava sozinho. Só de pensar nessa possibilidade chego a gelar. Nunca me perdoaria.

Quanto a mim, o acidente é mais um acidente de percurso, faz parte do estar vivo. A deficiência nunca foi o meu problema, mas sim o que me rodeia. Os obstáculos que sempre encontrei no meu dia-a-dia por ser um cidadão com deficiência. Isso sim, é um grande problema para mim”.



Testemunho de Eduardo Jorge, ativista pela Vida Independente, agora licenciado em Serviço Social, foi vítima de um acidente de viação em 1991 que o deixou tetraplégico.




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