April 6, 2018

Sente-se na minha cadeira: a cidade não é para todos


Num país em que a acessibilidade é a excepção, as pessoas com Mobilidade Reduzida têm que planear todos os seus dias ao pormenor.

36 anos após as primeiras iniciativas em prol das acessibilidades, Portugal continua a ser um país inacessível porque as Leis não se cumprem nem se fazem cumprir.

O que faltou nestes 36 anos?
Vontade política, financiamento, fiscalização e reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência.

O que falta agora?
Vontade política, financiamento, fiscalização e reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência.


Carlos Nogueira fez uma viagem por Lisboa com o intuito de mostrar a falta de acessibilidades e as dificuldades que as pessoas com Mobilidade Reduzida encontram todos os diasCuriosamente nem foi preciso visitar o passado porque as mais recentes obras arquitetónicas evidenciam a falta de respeito pelas pessoas com deficiência. Desde o Parque da Nações ao maat, passando pela Ribeira da Naus, tudo é arquitetonicamente incompetente, para além de violar as Leis desta 'nossa' República. 


Clique na imagem para aceder aos 5 vídeos gravados em 360º e perceba o que significa viver sentado numa cadeira de rodas nas nossas cidades. Com o ponteiro do rato pode direcionar a imagem para onde pretender e dessa forma constatar melhor quais são os muros que se levantam por aí.


Fica mais um agradecimento
ao Carlos Nogueira


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March 27, 2018

Impacto da ASSISTÊNCIA PESSOAL


A Assistência Pessoal é um serviço especializado através do qual é disponibilizado apoio à pessoa com deficiência para a realização de atividades que, em razão das limitações decorrentes da sua interação com as condições do meio, não possa realizar por si própria.

No âmbito de um doutoramento em Psicologia Social sobre o impacto de fatores sociais e psicossociais na vida das pessoas com deficiência, Carla Branco, estudante no CIS-IUL, ISCTE-IUL, LiSP, está a desenvolver um estudo com o objetivo de perceber o impacto da assistência pessoal no bem-estar das pessoas com deficiência. O estudo permitirá acompanhar uma amostra de pessoas com deficiência em 3 períodos separados por 1 ano, podendo assim ajudar a comprovar os efeitos positivos da assistência pessoal na vida destas pessoas.


Caso tenha interesse em colaborar,
aceda AQUI ao questionário que demora em média 20 minutos a ser preenchido.



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March 23, 2018

VIVER




(...) 'curar-me' foi aprender a VIVER com o que me aconteceu (…)



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March 16, 2018

Disabled Go


“Developed by disabled people 
for disabled people”

Aqui pode encontrar informações detalhadas sobre a acessibilidade de milhares de locais em todo o Reino Unido e na República da Irlanda: lojas, restaurantes, cinemas, teatros, estações ferroviárias, hotéis, universidades, hospitais e muito mais.

Um projeto que foi desenvolvido há já 14 anos e que tem como primeiro objetivo dar a conhecer às pessoas com mobilidade reduzida, quais os locais mais acessíveis sempre que necessitem de viajar e conhecer novos locais. Um bom exemplo de como é possível classificar os lugares em função da sua acessibilidade a pessoas com algum tipo de deficiência.




A ACESSIBILIDADE pode ser definida como a capacidade do meio de proporcionar as condições mínimas necessárias às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, para a utilização com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços públicos ou privados.


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March 6, 2018

27 ANOS



27 ANOS EM CADEIRA DE RODAS.

COMEMORO?

Fez 27 anos no último dia 20 de fevereiro que sofri o acidente que mudou a minha vida por completo (escrevi esta crónica no dia 17). Datas não é comigo. Também esta só me lembrei dela por acaso. Para mim sempre foi um dia como outro qualquer. Desta vez, a data surgiu-me na memória e tem-se mantido. Acho que é desta vez que me lembrarei do meu acidente no dia 20, e se fosse caso para comemorar, desta vez não aconteceria por falta de lembrança.

Sinceramente não me faz grande diferença lembrar-me ou não da data. Assim como não me faz confusão relatar o meu acidente, ou passar no local onde ele aconteceu. É perto da minha casa e passo por lá muitas vezes e não me perturba absolutamente nada.

Algo que também não aconteceu comigo foi o passar pelas fases que a maioria dos meus colegas relatam passar após trauma. Fases da negação, revolta, luto, aceitação. Comigo a grande preocupação foi tornar-me dependente fisicamente, e tentar encontrar uma maneira de continuar a ser independente financeiramente, e uma grande angústia por fazer sofrer a minha mãe.

A ilusão de vir a voltar a andar também nunca a alimentei. Fui sempre muito prático e objetivo. Viver o momento. Não sofrer por antecedência. O que tiver de ser será. Nada de dramas. Ainda funciono assim nos dias de hoje.

Procurar culpados também não foi comigo. Nunca me questionei ou preocupei em saber as causas do acidente. Foi um acidente de carro e ponto final. Ia a conduzir um Renault 5 GTL, pelas 15h do dia 20, na localidade de Alvega, a poucos quilómetros do local onde trabalhava, Restaurante Nova Nora, em Ribeira do Fernando. Conduzia sem cinto de segurança (na altura não era obrigatório o seu uso dentro das localidades), repentinamente o veículo foge-me para a faixa contrária, embate contra um muro, dá várias cambalhotas e sou cuspido por uma das portas que entretanto abriram, e sou projetado para um terreno agrícola com valas com alguma profundidade. Caí de costas, pescoço bateu numa das lombas da vala, e não mais me consegui mexer.

De imediato surgiram moradores da localidade, chamaram o INEM que até hoje não sei se demorou muito ou pouco a socorrer-me. Fui levado para o hospital mais próximo, que era o de Abrantes, nele colocaram-me tração cervical com 13 kg, e fui de seguida transferido para o Hospital de São José em Lisboa, com o diagnóstico de lesão cervical C4, C5 e C6, traumática completa.

Por lá, e por outros mais hospitais e clínicas, fiquei quase um ano internado. Em dezembro de 1991 vi a casa de uma irmã pela primeira vez. Ver a família reunida soube bem, mas sinceramente o desconforto era tanto, que estava desejoso para voltar ao centro de reabilitação onde me sentia seguro, e rodeado de outras pessoas como eu.

O olhar da minha mãe era o que mais me fazia sofrer. Vê-la sofrer por mim era e sempre foi muito doloroso. Custava-me muito mais que a minha situação. Era muito religiosa (6 anos após meu acidente faleceu) e sempre se orgulhou de eu ter nascido numa 5ª feira santa. Dizia-me com frequência: “Filho, nasceste num dia tão bonito e tens sofrido tanto”. O seu olhar era amor puro. Só ela o sabia dar daquela maneira. Sabia tão bem…

O acidente é esquecido com frequência, mas há algo que nunca esqueceria, se através do meu acidente tivesse magoado alguém. Felizmente viajava sozinho. Só de pensar nessa possibilidade chego a gelar. Nunca me perdoaria.

Quanto a mim, o acidente é mais um acidente de percurso, faz parte do estar vivo. A deficiência nunca foi o meu problema, mas sim o que me rodeia. Os obstáculos que sempre encontrei no meu dia-a-dia por ser um cidadão com deficiência. Isso sim, é um grande problema para mim”.



Testemunho de Eduardo Jorge, ativista pela Vida Independente, agora licenciado em Serviço Social, foi vítima de um acidente de viação em 1991 que o deixou tetraplégico.




Aceda AQUI ao Blogue Nós Tetraplégicos
Saiba mais sobre o Centro de Vida Independente




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February 20, 2018

João Sobre Rodas

João nasceu com paralisia cerebral. O problema não afectou “nem os movimentos nem os sentidos, mas apenas o equilíbrio” e desde então tem-no acompanhado a cadeira de rodas. É o primeiro YOUTUBER português com paralisia cerebral. No canal “João Sobre Rodas”, com mais de 600 subscritores, o João aborda a temática da acessibilidade.


O João é uma pessoa e o João Sem Rodas é alguém sem filtro, mas “sem desrespeitar ninguém”.


  • O João…


  • Desabafo!



  • E o carro!?


  • Taxis ou a Uber?



Fonte: Público


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February 8, 2018

Mais uma ALTERAÇÃO, uma COMISSÃO, umas EQUIPAS TÉCNICAS e mais um PRAZO…!?



No dia 5 de outubro, entrou em vigor o Decreto-Lei n.º 125/2017, de 4 de outubro, que altera o Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de agosto, que aprova o regime da acessibilidade aos edifícios e estabelecimentos que recebem público, via pública e edifícios habitacionais. É importante lembrar que no dia 8 de fevereiro de 2017, 10 anos após a entrada em vigor do Decreto-Lei nº163/2006 - que tem por objeto a definição das condições de acessibilidade a satisfazer no projeto e na construção de espaços públicos, equipamentos coletivos e edifícios públicos e habitacionais – era a data limite para que as entidades responsáveis pela desconformidade das edificações e estabelecimentos aí referidos, começassem a ser sancionadas de acordo com o estipulado no mesmo Decreto-Lei.



Mais uma alteração…

O objetivo desta alteração é a de manter o controlo sobre a adaptação dos edifícios, estabelecimentos e equipamentos públicos, de acordo com as normas técnicas de acessibilidade, uma vez que o prazo de 10 anos estipulado para tal, pelo Decreto-Lei n.º 163/2006, terminou a 8 fevereiro de 2017.

Uma das principais alterações introduzidas pelo Decreto-lei n.º 125/2017, de 4 de outubro, é a atribuição ao Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR) as competências da extinta Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

Caberá ao INR, I.P. a fiscalização do cumprimento dos deveres impostos às entidades da administração pública central e dos institutos públicos em matéria de acessibilidades, assim como a instauração dos processos de contraordenação no caso de aquelas entidades não cumprirem as normas de acessibilidade.

O que vai mudar?
Atualiza-se a indicação das entidades públicas que promovem a acessibilidade:

  • a missão de promover a acessibilidade nos edifícios e monumentos nacionais que a lei dava à Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais passa para o INR, uma vez que essa direção-geral já não existe; 
  • a entidade com poder para fiscalizar e sancionar a violação dos deveres que a lei impõe às entidades da administração local (como os municípios e as freguesias) em matéria de acessibilidade passa a ser a Inspeção-Geral de Finanças; 
  • a entidade que emite pareceres sobre o cumprimento das normas técnicas de acessibilidade em edifícios com especial interesse histórico e arquitetónico passa a ser a Direção-Geral do Património Cultural.



Mais uma Comissão…

Cria-se a Comissão para a Promoção das Acessibilidades que vai avaliar as acessibilidades nas construções e espaços

  • do Estado;
  • das autarquias locais;
  • dos institutos públicos que sejam serviços personalizados ou fundos públicos.



Mais equipas técnicas… e mais um prazo…

Criam-se equipas técnicas em cada ministério para promover a acessibilidade.
Define-se um prazo máximo de seis meses para cada ministério constituir equipas técnicas de promoção da acessibilidade. Estas têm o dever de fazer cumprir as normas técnicas de acessibilidade nas construções de cada ministério. Essas equipas devem informar o INR sobre as suas atividades.

Quando entra em vigor?
Este decreto-lei entra em vigor no dia a seguir à sua publicação ou seja, entrou em vigor no passado dia 5 de outubro de 2017.



o INR, I.P. passa a FISCALIZAR


Consulte o Decreto-Lei em:



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