May 12, 2020

CONFINAMENTO



Vivemos momentos excecionais e muito provavelmente inesperados para a maioria dos portugueses. 


Este isolamento ‘forçado’, devido à emergência sanitária causada pelo COVID-19, vai certamente despertar novas realidades e deixar evidentes muitas das nossas fragilidades, mas também muito do que somos capazes de fazer enquanto comunidade.


Paradoxalmente, talvez seja um bom momento para refletirmos como o isolamento – físico e social – nos pode afetar de forma tão negativa. Infelizmente, para a grande maioria das pessoas com deficiência, este isolamento temporário confunde-se com o seu isolamento permanente. Um fenómeno que deve ser avaliado com determinação para o podermos minimizar tanto quanto possível A falta de ACESSIBILIDADES e de EQUIPAMENTOS ADEQUADOS à vida de todos aqueles que são portadores de deficiência, bem como a dificuldade em implementar soluções que possibilitem e promovam a VIDA INDEPENDENTE, são os principais fatores para que o isolamento permanente exista e persista.

Eduardo Jorge, tetraplégico desde 1991, em tom de desabafo, afirma que “Pelo que presencia, uma grande maioria está no limite e não suportaria esta situação por muito tempo. Portam-se como se estivessem num túmulo. Como se fosse uma tragédia. A tragédia maior não parece ser o vírus, mas sim o facto de se encontrarem confinadas a um espaço”


Muitas pessoas com deficiência vivem em isolamento social há vários anos e dificilmente vão ‘à rua’ pelo simples facto de não existirem acessibilidades. A via pública é um campo de obstáculos e começa logo pelo mais elementar, os passeios e percursos pedonais, quase todos em pedra. As lojas, os restaurantes, as zonas de lazer, os transportes e os serviços públicos, entre outros, continuam maioritariamente sem cumprir as normas e as leis relativas à acessibilidade. Uma vergonha nacional que, com o tempo, nos vai acaba por afetar a todos.


Em tempos extraordinários temos que nos empenhar também de forma extraordinária. Pode ser que este momento insólito coloque na agenda a causa da acessibilidade e, desse modo, se possam criar as condições necessárias para DESCONFINAR a grande maioria da população portadora de deficiência. 



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April 6, 2020

Máscaras ESPECIAIS


Ashley Lawrence, uma rapariga com 21 anos, criou máscaras especiais com uma transparência na boca, com o intuito de ajudar as pessoas com deficiência auditiva.

Ashley conhece bem os problemas associados à surdez e esse facto deu-lhe uma motivação extra

A crise de saúde causada pelo COVID-19 está a afetar-nos a todos. A área da saúde está a ser posta à prova como nunca. Também aqui, a falta de materiais de proteção, nomeadamente máscaras, são um dos pontos mais críticos.

Felizmente, muitas pessoas começaram já a produzir máscaras caseiras, mas ninguém se lembrou das pessoas com necessidades especiais, como aqueles que têm dificuldades auditivas, por exemplo. Estas máscaras permitem que a leitura labial possa ocorrer com a normalidade possível. Depois de uma conversa com a mãe, Ashley convenceu-a e juntas estão a produzir e a doar estas máscaras.






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March 31, 2020

3D Mask Portugal


O combate ao COVID-19 precisa de todos nós


Muitos voluntários, pessoas motivadas, proactivas e comprometidas com os outros, uniram-se e, com acesso a “impressoras 3D”, estão a produzir máscaras descartáveis para serem doadas aos nossos profissionais de saúde.




Quer ser VOLUNTÁRIO?
Quer ajudar-nos a chegar a todo o país?

Caso tenha disponibilidade e pretenda ser um dos nossos voluntários, por exemplo, na impressão de peças, na ajuda a prestar em termos logísticos – recolha e distribuição – etc, por favor clique AQUI.




Todos contam.
Todos seremos poucos.




   #fiqueemcasa
   #3dmaskportugal


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March 25, 2020

CORONAVÍRUS

Quais devem ser os cuidados suplementares que as pessoas com deficiência devem tomar, para não se tornarem um grupo ainda mais vulnerável à infeção pelo novo coronavírus?


Coronavírus é uma família de vírus que causa infeções respiratórias. O novo agente do coronavírus, descoberto em dezembro de 2019, após casos registados na China, provoca a doença denominada por CORONAVÍRUS (Covid-19). Da China para o mundo, o coronavírus já infetou milhares de pessoas, colocou mais de 180 países em alerta e ameaça a economia global.


Muitas pessoas com deficiência podem, eventualmente, ter alguma outra comorbidade, por exemplo a diabetes ou a hipertensão, o que só por esse facto já as colocava num grupo de rico. Contudo, este grupo de cidadãos, e em alguns casos os seus cuidadores, têm que mitigar outras dificuldades.



Algumas recomendações básicas:
  • Como todos, devem seguir as recomendações gerais de higiene e distanciamento social;
  • Para pessoas que utilizam algum tipo de equipamento, como são exemplo as cadeiras de roda, as muletas, as bengalas, etc, devem ter um cuidado especial em os manter limpos e desinfetados;
  • As pessoas cegas precisam de materiais com áudio-descrição ou em braile;
  • As pessoas surdas precisam de materiais visuais;
  • As pessoas com deficiência intelectual, que não se sabem expressar corretamente, precisam de intérprete específico;
  • Os intérpretes de Língua Gestual devem ter um cuidado redobrado com a higiene das mãos, já que tocam com frequência a face durante a comunicação;
  • Uma vez que os cuidadores também podem ser infetados, é importante assegurar a possibilidade de ter uma outra pessoa, já treinada, para assumir o cuidado da pessoa com deficiência;
  • Os cuidadores devem estar ainda mais atentos às pessoas que não conseguem dizer o que estão sentindo, em muitos casos porque perderam a sensibilidade em alguma parte do corpo. Devem, por exemplo, verificar a temperatura com mais frequência;
  • Antecipar a aquisição de produtos de apoio -  produtos de higiene, produtos de posicionamento, produtos de vida diária, produtos hospitalares, etc - para prevenir eventuais falhas na produção/distribuição.

As deficiências são classificadas como leve, moderada ou severa e os riscos e os cuidados variam de acordo com o grau de dependência.


#fiqueemcasa


Informe-se AQUI


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February 26, 2020

Dias ÚTEIS

Caso não seja deficiente mas pretenda sê-lo por umas horas, já o pode fazer na zona de Belém, em Lisboa, em qualquer dia útil, caso o seu relógio indique que se encontra entre as 18h e as 8:59h da manhã. Pode ainda ser deficiente durante todo o fim-de-semana, caso não tenha essa possibilidade durante a semana. Uma experiência extraordinária, que é agora certificada pela Câmara Municipal de Lisboa.


Não perca esta oportunidade, seja deficiente de vez em quando


Mensagem para a autarquia de Lisboa:

Os lugares reservados para deficientes são escassos e devem manter-se disponíveis para o efeito, sempre que existam. Estes lugares reservados para as pessoas com deficiência são específicos na sua dimensão, exatamente para permitirem, por exemplo, a saída para uma cadeira de rodas. No limite, o estacionamento indevido nestes locais, acaba por impedir que um cidadão que se desloque numa cadeira de rodas possa estacionar o seu carro, comprometendo ainda mais a sua mobilidade. A ocupação indevida destes espaços de parqueamento é uma prática recorrente e não é reconhecida pela generalidade da população como uma prática gravemente atentatória de um direito que limita a liberdade de quem necessita desse espaço”.



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January 20, 2020

Ação Qualidade de Vida

Muitas pessoas com deficiência motora não possuem os recursos financeiros necessários que lhes permitam ter uma vida com qualidade. Estas pessoas têm projetos de vida, objetivos e ambições que querem alcançar, mas vêem-se limitadas pela falta de meios.


A Associação Salvador recebe anualmente inúmeros pedidos de ajuda de pessoas com deficiência motora, e na impossibilidade de responder positivamente a todos, procura conhecer cada caso, segundo critérios e requisitos previamente definidos.

Para ser possível dar uma resposta mais justa e, de acordo com a variedade de pedidos recebidos, a Associação Salvador criou em 2008 a Ação Qualidade de Vida, um processo anual que permite candidatar-se a apoios diretos e pontuais, direcionados a pessoas com deficiência motora e comprovada falta de recursos financeiros.


Saiba mais AQUI



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January 15, 2020

CARRIS…!? uma Vergonha Nacional


A MISSÃO, a VISÃO e os VALORES da CARRIS, assumidos no seu site institucional, fazem-nos crer que estamos perante uma extraordinária Companhia, inovadora, competente e com um compromisso claro com o serviço que presta.

Assume, quando fala de ‘Compromissos com o Cliente’, responsabilidades relevantes, entre as quais, uma que destaco:
  • Em colaboração com as entidades competentes, assegurar que o serviço prestado possa ser facilmente utilizado por todos, implementando as medidas necessárias para permitir a acessibilidade daqueles clientes cuja mobilidade se encontre, por algum modo, reduzida.

Perante o relato do que sucedeu neste final de ano ao Sérgio Alexandre LopesUM CIDADÃO TETRAPLÉGICO – e pelo que sucede diariamente a tantos outros em situações similares, o comportamento desta Companhia, agora sob a gestão da CML, devia se denunciado como uma VERGONHA NACIONAL.



O relato impressionante do Sérgio 

Saí do Terreiro do Paço e dirigi-me à Praça do Martim Moniz, para a paragem onde passaria o 208, que garante o serviço noturno, de hora em hora. Começou a espera de 50 minutos.

O autocarro chegou às 2h40 e a rampa estava avariada. A temperatura era de cerca de nove graus e a primeira coisa que o motorista disse, pela janela, depois de ter tentado acionar umas seis vezes o dispositivo, foi ‘vai ter que esperar pelo próximo.’ Este é o discurso habitual.

Um pouco antes do autocarro parar, enviei sms para saber dali a quanto tempo seria o próximo e tinha a informação de que seriam 112 minutos.

Eu não estava sozinho e a Carmen já estava à frente do autocarro, informando os passageiros de que se não fôssemos todos, não iria ninguém. Neste momento, o motorista foi tentar abrir a rampa em modo manual, mas não conseguiu. Perguntei-lhe qual a alternativa que a CARRIS me daria e ele insistiu que eu teria que ‘esperar pelo próximo’.

Os passageiros foram informados, por nós, do motivo do bloqueio, da descriminação que a CARRIS promove diariamente, do descaso com que são tratadas as pessoas com mobilidade reduzida. Um dos passageiros que mais apoiou a nossa decisão, chamou a PSP.

O motorista, sem alternativa, entra em contacto com a central. Do outro lado oiço alguém – dizem eles que ‘é um CHEFE’ – ’Então, se não funciona, o passageiro tem de esperar pelo próximo autocarro’. Com esta tranquilidade.

CARRIS – Espere pelo próximo!
(esta deveria ser a frase assinatura da empresa)

Perguntei qual a garantia que me davam de que o próximo autocarro teria a rampa a funcionar. A resposta foi: ‘Esteja descansado que a central vai entrar em contacto com o colega e ele vai ver se a rampa funciona’. Conhecendo a CARRIS, e não de hoje, isto não é garantia nenhuma, mas sim um ‘fique a aguardar e depois logo se vê’. 

BEEN THERE! SEEN THAT!

Não confio na CARRIS. 
(muito menos numa madrugada com temperaturas abaixo dos 10 graus)

Entretanto, com autocarro impedido de avançar, tenho todo o tempo para descrever a situação aos agentes da PSP. Reforço que a situação é constante e, naquele contexto, tudo se torna ainda mais grave. Expliquei que tenho o mesmo direito que todos os passageiros a viajar naquele autocarro, que tenho passe, que a CARRIS incumpre a Lei 46/2006, que proíbe e pune a discriminação em razão da deficiência e da existência de risco agravado de saúde, e que a alternativa que a CARRIS me estava a dar era um autocarro mais de 1h30 depois, sem garantias de ter uma rampa funcional.

Os agentes identificaram-nos e depois foram conversar com o motorista para perceber como a CARRIS pretendia resolver a minha situação. O motorista, sem meios de se justificar pela empresa, passou-lhes mesmo o telemóvel para falarem directamente com o ‘CHEFE’ que exigia que a PSP identificasse as pessoas que não deixavam o autocarro seguir a viagem. Ficamos assim a saber que a CARRIS pensa que dá ordens à PSP.

O motorista continuava a tentar seguir viagem, mas connosco e alguns passageiros em frente ao autocarro, era impossível.

O Sérgio e alguns passageiros impedem o autocarro de prosseguir viagem

Pelo mesmo motorista chega então a informação de que a CARRIS já teria um autocarro a caminho, reservado, apenas para me deixar em casa. Ou seja, não efectuaria quaisquer paragens para tomada ou largada de passageiros. Seria uma forma de me ‘compensar pela situação’, disseram.

Logo que o autocarro ‘reservado’ chegou, o motorista do primeiro queria ir embora, os agentes tentaram dissuadir-nos, mas, mais uma vez, por falta de confiança na CARRIS, foi impedido de ir até que a rampa fosse testada. A rampa estava… avariada, caros amigos.

O segundo motorista, visivelmente incomodado, garantiu que testara a rampa à frente do CHEFE e ‘estava boa.’

O primeiro motorista continuava a ligação com o ‘CHEFE’ da CARRIS. Apercebo-me que todos os passageiros estavam a sair do primeiro autocarro, por ordem da empresa, e que o tal autocarro ‘reservado’, iria continuar a carreira do primeiro.

Parece-me claro que o ‘CHEFE’ queria tentar libertar um autocarro, mas não aconteceu. E doravante não mais acontecerá. Ficaremos todos retidos: nós, os passageiros, os motoristas e os carros que forem enviados. Interpreto, este momento, a esta distância, como prova do foco errado da CARRIS, em relação ao que ali estava a ocorrer.

O motorista do segundo autocarro, sentindo-se inseguro, porque, por esta altura, os primeiros ânimos começavam a exaltar-se entre alguns passageiros, pergunta aos agentes da PSP o que deveria fazer e se seria seguro fazer aquela viagem.

Entretanto, a rampa deste último conseguiu ser aberta manualmente e entrei.

Os polícias, mais uma vez, pelo telefone, questionam o CHEFE da CARRIS acerca da situação. O ‘CHEFE’ foi peremptório – o primeiro autocarro seguiria fora de serviço e o segundo seguiria com todos os passageiros que se juntaram ali ao longo de mais de uma hora. E não éramos poucos. A resposta do senhor agente àquela decisão da CARRIS foi ‘vocês é que sabem a imagem que querem dar da empresa’.


Não somos cidadãos de segunda. 
Não deixarei que me tratem como se fosse.


Não sou o primeiro a fazer este tipo de ação, mas não podemos deixar que situações como esta se repitam, a cada hora, sem fazermos nada.

Agradeço ao grupo de passageiros que se juntou a mim. 
Agradeço aos agentes da PSP que, desde o início, disserem que não nos iam deter pela validade da nossa posição ali.



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